Citomegalovírus DNA e RNA no mesmo vírus: entenda

O citomegalovírus DNA e RNA no mesmo vírus desafia conceitos tradicionais da biologia ao apresentar características híbridas. Neste artigo, explicamos como esse vírus funciona, por que ele é considerado uma exceção entre os vírus e quais são suas implicações na saúde humana e nos estudos de genética viral.


AUTOR: Ronielson Lima (Professor de Biologia)
Atualizado em: 22/07/2025
citomegalovírus dna e rna no mesmo vírus

Os citomegalovírus pertencem à mesma família dos vírus causadores do herpes, conhecida como Herpesviridae. Em 2000, uma descoberta surpreendente chamou a atenção da comunidade científica: pesquisadores identificaram que esses vírus carregam DNA e RNA protegidos por um único capsídeo. Essa observação contrariou o conhecimento científico da época, pois, até então, os virologistas acreditavam que os vírus possuíam apenas um tipo de material genético — ou DNA, ou RNA — nunca os dois ao mesmo tempo.

Diante desse achado inesperado, diversos estudos passaram a investigar a estrutura e o comportamento do citomegalovírus. Com o avanço das pesquisas, os cientistas concluíram que esses vírus são, de fato, vírus de DNA, já que esse é o seu verdadeiro material genético. As moléculas de RNA presentes no interior do capsídeo, na realidade, não fazem parte do genoma viral. Elas são incorporadas durante a saída do vírus da célula hospedeira, processo conhecido como brotamento.

Essas moléculas de RNA, no entanto, desempenham um papel estratégico na infecção. Ao penetrar em uma nova célula hospedeira, o citomegalovírus já carrega esse RNA pronto para uso. Com isso, a síntese de proteínas começa imediatamente, antes mesmo que o DNA viral atue diretamente sobre o processo. Esse mecanismo permite que o vírus acelere a infecção e ganhe vantagem sobre os sistemas de defesa da célula.

Portanto, embora tenha parecido, em um primeiro momento, que o citomegalovírus reunia DNA e RNA como material genético, os estudos posteriores esclareceram que ele continua a seguir o padrão dos vírus de DNA. O diferencial está na presença estratégica do RNA funcional, que não faz parte do genoma, mas potencializa a capacidade infecciosa do vírus logo após sua entrada na célula.

Essa característica faz do citomegalovírus um caso curioso na virologia e reforça a complexidade dos mecanismos que os vírus utilizam para garantir sua replicação e sobrevivência.

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