A febre amarela é uma doença infecciosa aguda, de curta duração (no máximo 10 dias), gravidade variável, causada pelo vírus da febre amarela, que ocorre na América do Sul e na África, além disso, essa doença é causada por um vírus do gênero flavivírus. Além disso, a transmissão ocorre por mosquitos das espécies Aedes, especialmente o Aedes aegypti, que também é responsável pela disseminação da Zika, da dengue e da chikungunya. Da mesma forma, mosquitos do gênero Haemogogus também atuam como vetores.
As diferentes espécies de mosquitos vivem em diferentes habitats, o que determina três tipos de ciclos de transmissão:
Febre amarela silvestre (ou selvática)
Nas florestas tropicais, os macacos, que são o principal reservatório da febre amarela, são picados por mosquitos selvagens. Em seguida, esses mosquitos transmitem o vírus para outros macacos. Ocasionalmente, seres humanos que trabalham ou viajam para a floresta também são picados por mosquitos infectados e, como resultado, desenvolvem a doença.
Febre amarela intermediária
Neste tipo de transmissão, os mosquitos semidomésticos (aqueles que se reproduzem tanto na natureza quanto em torno das famílias) infectam tanto macacos quanto pessoas. Este é o tipo mais comum de surto na África.
Febre amarela urbana
Grandes epidemias ocorrem quando pessoas infectadas introduzem o vírus em áreas densamente povoadas com grande presença de mosquitos e onde a maioria das pessoas tem pouca ou nenhuma imunidade devido à falta de vacinação.
Uma pessoa não transmite a doença diretamente para outra; o macaco também não transmite a doença, ou seja é imprescindível a presença de mosquitos infectados agindo como vetores para que haja transmissão.
SINTOMAS
Geralmente, quem contrai o vírus não chega a apresentar sintomas ou os mesmos são muito fracos. As primeiras manifestações da doença são repentinas: febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos por cerca de três dias.
A forma mais grave da doença é rara (só uma pequena proporção de pacientes que contraem o vírus desenvolve sintomas graves) e costuma aparecer após um breve período de bem-estar (até dois dias). A pessoa infectada pode apresentar insuficiências hepática e renal, icterícia (olhos e pele amarelados), manifestações hemorrágicas e cansaço, sintomas que podem resultar em morte num período de sete a 10 dias.
A maioria dos infectados se recupera bem e adquire imunização permanente contra o vírus, o que quer dizer que, depois de se recuperarem, não são mais suscetíveis à doença.
TRATAMENTO
Não existe nada específico. O tratamento é apenas sintomático e requer cuidados na assistência ao paciente que, sob hospitalização, deve permanecer em repouso com reposição de líquidos e das perdas sanguíneas, quando indicado. Nas formas graves, o paciente deve ser atendido numa Unidade de Terapia Intensiva. Se o paciente não receber assistência médica, ele pode morrer.
PREVENÇÃO
A única forma de evitar a febre amarela silvestre é a vacinação contra a doença. A vacina é gratuita e está disponível nos postos de saúde em qualquer época do ano. Ela deve ser aplicada 10 dias antes da viagem para as áreas de risco de transmissão da doença. Pode ser aplicada a partir dos 9 meses e é válida por 10 anos. A vacina é contra-indicada a gestantes, imunodeprimidos (pessoas com o sistema imunológico debilitado) e pessoas alérgicas a gema de ovo.
A vacinação é indicada para todas as pessoas que vivem em áreas de risco para a doença (zona rural da Região Norte, Centro Oeste, estado do Maranhão, parte dos estados do Piauí, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), onde há casos da doença em humanos ou circulação do vírus entre animais (macacos).
HISTÓRICO
A origem do vírus causador da febre amarela foi motivo de discussão e polêmica durante muito tempo, porém, estudos recentes utilizando novas técnicas de biologia molecular comprovaram sua origem africana. O primeiro relato de epidemia de uma doença semelhante à febre amarela é de um manuscrito maia de 1648 em Yucatan, México. Na Europa, a febre amarela já havia se manifestado antes dos anos 1700, mas foi em 1730, na Península Ibérica, que se deu a primeira epidemia, causando a morte de 2.200 pessoas, já nos séculos XVIII e XIX os Estados Unidos foram acometidos repetidas vezes por epidemias devastadoras, para onde a doença era levada através de navios procedentes das índias Ocidentais e do Caribe.
No Brasil, a febre amarela apareceu pela primeira vez em Pernambuco, no ano de 1685, onde permaneceu durante 10 anos. A cidade de Salvador também foi atingida, onde causou cerca de 900 mortes durante os seis anos em que ali esteve. A realização de grandes campanhas de prevenção possibilitou o controle das epidemias, mantendo um período de silêncio epidemiológico por cerca de 150 anos no País.
A febre amarela apresenta dois ciclos epidemiológicos de acordo com o local de ocorrência e o a espécie de vetor (mosquito transmissor): urbano e silvestre. A última ocorrência de febre amarela urbana no Brasil, foi em 1942, no Acre. Hoje, ainda se teme a presença da febre amarela em áreas urbanas, especialmente depois do final da década de 70, quando o mosquito Aedes aegypti retornou ao Brasil.
INFORMAÇÕES IMPORTANTES
- A vacina pode provocar reações no local da injeção, febre e mal estar, porém esses efeitos são raros.
- Um bebê pode ser vacinado a partir dos seis meses de idade, quando a criança reside em uma área em que há morte de macacos com suspeita de febre amarela e na área em que há casos de febre amarela silvestre. Mas fora dessas situações, o calendário de vacinações indica a partir de nove meses de idade.
- A icterícia (coloração amarelada) que aparece na pele e nos olhos, é uma característica da doença, entretanto existem formas muito leves da doença que não chegam a formar a icterícia. Já a febre sim, essa acontece em todas as situações .
- Pessoas que estiveram doentes ou apresentam baixa imunidade, é recomendável uma avaliação médica antes de tomar a vacina.
- Existe contra indicação para a vacinação em gestante.
- A vacina assegura 100% de imunização, após o décimo dia de aplicação. E essa proteção dura 10 anos, além disso não há problema em repetir a vacina caso faltem dois meses para vencer os 10 anos.
- Não existe transmissão de pessoa a pessoa. A doença é sempre transmitida pelo mosquito contaminado.
Fontes:
bvsms.saude.gov.br
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