Neurociência: como o cérebro aprende

AUTOR: Ronielson Lima (Professor de Biologia)


Neurociência: como o cérebro aprende é um tema essencial para entender os processos que tornam a aprendizagem possível. O estudo da mente revela como os neurônios se conectam, como as memórias são formadas e de que forma a motivação e as emoções influenciam diretamente o aprendizado. Conhecer esses mecanismos permite que estudantes, professores e profissionais de qualquer área adotem estratégias mais eficazes para desenvolver habilidades e consolidar conhecimentos.


O que é neurociência e por que ela importa

A neurociência é a ciência que investiga o sistema nervoso, com foco no cérebro e nas funções que controlam a mente, as emoções e os comportamentos humanos. Ao analisar como o cérebro aprende, essa área fornece dados científicos que ajudam a explicar por que algumas técnicas de estudo funcionam melhor que outras.

Essa compreensão tem aplicações diretas na educação, na psicologia, na medicina e até no desenvolvimento pessoal, já que permite criar métodos de ensino mais eficazes, melhorar a memória e potencializar a criatividade.


Estrutura do cérebro e aprendizado

O cérebro humano possui áreas especializadas que atuam em conjunto para possibilitar o aprendizado. Entre as principais estruturas estão:

  • Hipocampo: essencial para a formação e consolidação de memórias.

  • Córtex pré-frontal: ligado ao raciocínio lógico, planejamento e tomada de decisões.

  • Amígdala: responsável pelo processamento das emoções, que podem favorecer ou dificultar a aprendizagem.

  • Cerebelo: além de controlar movimentos, participa do aprendizado motor e da coordenação.

Quando entendemos como o cérebro aprende, percebemos que essas áreas não trabalham isoladamente. Elas interagem o tempo todo para transformar experiências em conhecimento duradouro.


Neurônios e sinapses: a base da aprendizagem

A aprendizagem ocorre por meio da comunicação entre neurônios, as células nervosas do cérebro. Cada vez que estudamos ou praticamos uma habilidade, novas conexões chamadas sinapses são fortalecidas. Esse fenômeno é conhecido como plasticidade cerebral.

Quanto mais vezes revisamos um conteúdo ou repetimos uma prática, mais fortes ficam essas conexões, tornando o processo de lembrar e aplicar o conhecimento mais eficiente. Assim, a neurociência mostra que a repetição, a revisão espaçada e a prática ativa são estratégias eficazes de estudo.


Emoções e motivação no processo de aprendizagem

Um ponto essencial em como o cérebro aprende é o papel das emoções. Experiências emocionais intensas tendem a ser lembradas com mais facilidade. Isso acontece porque a amígdala estimula o hipocampo a registrar a memória com maior intensidade.

Além disso, a dopamina — neurotransmissor associado à sensação de recompensa — aumenta a motivação e favorece a consolidação de novas informações. Por isso, métodos de ensino que envolvem curiosidade, desafios e recompensas imediatas costumam ser mais eficazes.


Memória: como o cérebro armazena o conhecimento

A memória é um dos pilares do aprendizado. Ela pode ser dividida em:

  • Memória de curto prazo: armazena informações por alguns segundos ou minutos.

  • Memória de trabalho: permite manipular informações temporárias para resolver problemas.

  • Memória de longo prazo: guarda conhecimentos por dias, meses ou até a vida inteira.

A passagem da memória de curto prazo para a de longo prazo exige consolidação, que depende de revisões frequentes, boas noites de sono e estímulos emocionais.


Sono, descanso e aprendizado

O sono é um fator decisivo para entender como o cérebro aprende. Durante as fases do sono, principalmente o sono REM, o cérebro organiza e consolida as memórias adquiridas ao longo do dia.

Estudos demonstram que pessoas que dormem bem após o estudo apresentam melhor desempenho em testes de memória. Por isso, noites mal dormidas prejudicam a retenção de informações e reduzem a capacidade de concentração.


Estratégias práticas baseadas na neurociência

Aplicar os conhecimentos da neurociência no dia a dia pode transformar a forma de aprender. Entre as principais estratégias estão:

  1. Revisão espaçada: revisar conteúdos em intervalos crescentes de tempo fortalece as conexões neurais.

  2. Aprendizado ativo: resolver exercícios, explicar a matéria para outra pessoa ou aplicar o conteúdo em situações práticas fixa melhor a informação.

  3. Associação de ideias: relacionar novos conteúdos com conhecimentos prévios facilita a memorização.

  4. Uso de múltiplos sentidos: estudar com recursos visuais, auditivos e escritos aumenta a eficiência do aprendizado.

  5. Sono de qualidade: garantir 7 a 8 horas de sono por noite favorece a consolidação das memórias.


A neurociência e a educação moderna

Hoje, muitas escolas e universidades aplicam conceitos da neurociência em metodologias ativas de ensino. Entre elas, destacam-se a aprendizagem por projetos, a gamificação e o uso de tecnologias digitais que estimulam a participação dos estudantes.

Essas práticas partem da ideia de que o cérebro aprende melhor quando o conteúdo é relevante, contextualizado e envolve emoção. Assim, a neurociência contribui para transformar a educação em uma experiência mais significativa.


Referências

  1. O IMPACTO DA NEUROCIÊNCIA NA APRENDIZAGEM. Revista FT, 2025. Disponível em: revistaft.com.br/o-impacto-da-neurociencia-na-aprendizagem-como-o-cerebro-processa-informacoes. Acesso em: 18 ago. 2025. RevistaFT

  2. “A neurobiologia da memória aplicada à processos de aprendizagem”. Cuadernos de Educación, 2025. Disponível em: ojs.cuadernoseducacion.com/ojs/index.php/ced/article/view/6481. Acesso em: 18 ago. 2025. Cuadernos Educação+1

  3. NEUROCIÊNCIA E EDUCAÇÃO. Portal da Indústria, 2022. Disponível em: static.portaldaindustria.com.br/media/filer_public/…/neurociencia_e_educacao_2022.pdf. Acesso em: 18 ago. 2025. static.portaldaindustria.com.br

  4. MOURA, Roque Antônio de; OLIVEIRA, Márcia Regina; SILVA, Messias Borges. Neurociência para leigos: o papel do hipocampo no aprendizado e na memorização consolidada. 2023. Disponível em: researchgate.net/publication/374582547_NEUROCIENCIA_PARA_LEIGOS_O_PAPEL_DO_HIPOCAMPO_NO_APRENDIZADO_E_NA_MEMORIZACAO_CONSOLIDADA_ODS_04. Acesso em: 18 ago. 2025. ResearchGate

  5. “Neurociências aplicadas à aprendizagem: estratégias para um desenvolvimento acadêmico saudável”. ResearchGate, 2025. Disponível em: researchgate.net/publication/392222163_Neurociencias_aplicadas_a_aprendizagem_estrategias_para_um_desenvolvimento_academico_saudavel. Acesso em: 18 ago. 2025. ResearchGate

  6. SQUIRE, Larry R. et al. O sistema da memória: memória declarativa e não-declarativa no hipocampo e outras estruturas. Pepsic / Scielo, 2014. Disponível em: pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S0103-84862014000300004. Acesso em: 18 ago. 2025. Pepsic

  7. FERRARI, Elenice A. de Moraes et al. Plasticidade neural: relações com o comportamento e abordagens experimentais. Scielo, 2023. Disponível em: scielo.br/j/ptp/a/ysvrdSJm8fSR5fTsdYjMFXM/. Acesso em: 18 ago. 2025. SciELO Brasil

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