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Transgênicos: benefícios e riscos

Transgênicos: benefícios e riscos

AUTOR: Ronielson Lima (Professor de Biologia)


Transgênicos é um tema que desperta grande interesse e discussão em todo o mundo. Os avanços da engenharia genética possibilitaram a criação de organismos com características aprimoradas, capazes de aumentar a produtividade, resistir a pragas e melhorar o valor nutricional dos alimentos. No entanto, junto com essas vantagens, surgem preocupações sobre impactos à saúde humana, desequilíbrios ambientais e questões éticas relacionadas ao controle de sementes por grandes empresas. Conhecer de forma detalhada os prós e contras é fundamental para compreender o papel dessa tecnologia no presente e no futuro da produção de alimentos.


O que são transgênicos?

Transgênicos são organismos geneticamente modificados (OGMs) por meio de técnicas de engenharia genética que inserem genes de uma espécie em outra. Essa modificação não ocorreria naturalmente através do cruzamento ou reprodução tradicional. O objetivo é conferir ao organismo características específicas, como resistência a pragas, tolerância a herbicidas, aumento de produtividade ou melhoria nutricional.

Entre os exemplos mais conhecidos estão a soja resistente a herbicidas, o milho Bt (com genes de bactérias que repelem insetos) e o arroz dourado, enriquecido com vitamina A para combater deficiências nutricionais.


Benefícios dos transgênicos

1. Aumento da produtividade agrícola

Com a introdução de genes específicos, os transgênicos permitem que plantas produzam mais por hectare, aproveitando melhor o solo e reduzindo a necessidade de expansão agrícola. Isso é essencial para atender à crescente demanda alimentar de uma população mundial em expansão.

2. Redução do uso de agrotóxicos

Certos transgênicos apresentam resistência natural a pragas, o que diminui a aplicação de pesticidas químicos. Isso pode reduzir custos para agricultores e minimizar impactos ambientais, além de reduzir resíduos químicos nos alimentos.

3. Melhoria nutricional dos alimentos

A biotecnologia possibilita o enriquecimento de alimentos com vitaminas e minerais essenciais. O arroz dourado, por exemplo, contém altos níveis de betacaroteno, que o corpo converte em vitamina A, ajudando a combater a cegueira infantil em países em desenvolvimento.

4. Resistência a condições climáticas adversas

Culturas geneticamente modificadas podem ser adaptadas para sobreviver a períodos de seca, altas temperaturas ou solos salinos, garantindo produção mesmo em regiões de clima extremo.


Riscos dos transgênicos

1. Impactos ambientais

O cultivo de transgênicos pode provocar polinização cruzada com espécies nativas, resultando em contaminação genética e redução da biodiversidade. Além disso, o uso intensivo de culturas resistentes a herbicidas pode afetar organismos benéficos no ecossistema.

2. Resistência de pragas e plantas daninhas

O uso prolongado de transgênicos resistentes a pragas pode levar ao surgimento de insetos e plantas daninhas mais resistentes, exigindo novas intervenções químicas e genéticas para controlá-los.

3. Incertezas sobre efeitos na saúde

Apesar de estudos indicarem que transgênicos aprovados são seguros para consumo, ainda existem debates sobre seus efeitos a longo prazo. Algumas pesquisas apontam a necessidade de monitoramento contínuo e avaliação constante.

4. Controle de mercado por grandes corporações

Empresas detentoras de patentes sobre sementes transgênicas controlam sua reprodução e venda, podendo impor preços elevados e restringir o acesso de pequenos agricultores, aumentando a dependência econômica.


Legislação e regulamentação

No Brasil, o cultivo e comercialização de transgênicos são regulamentados pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), que avalia riscos ambientais e à saúde antes de liberar o uso. Além disso, é obrigatória a rotulagem de produtos que contenham mais de 1% de ingredientes transgênicos, garantindo o direito de escolha ao consumidor.

No cenário internacional, cada país adota regras próprias. A União Europeia, por exemplo, possui legislações mais restritivas e exige testes rigorosos antes da aprovação.


Como equilibrar benefícios e riscos

O equilíbrio no uso de transgênicos depende de três fatores principais:

Com políticas bem estruturadas, é possível aproveitar o potencial dos transgênicos sem ignorar as preocupações legítimas que eles geram.


Futuro dos transgênicos

Novas pesquisas apontam para uma próxima geração de transgênicos, focada não apenas na produtividade, mas também na sustentabilidade. Isso inclui culturas que fixam seu próprio nitrogênio, reduzindo a necessidade de fertilizantes, e plantas que capturam mais carbono, ajudando no combate às mudanças climáticas.

A edição genética por CRISPR-Cas9 promete ainda mais precisão, permitindo modificações mais rápidas, seguras e direcionadas. Essa tecnologia poderá reduzir riscos associados às técnicas atuais, mas também exigirá debates éticos e regulamentação adequada.


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