AUTOR: Ronielson Lima (Professor de Biologia)
Atualizado em: 31/07/2025
Localização e Extensão do Cerrado
O Bioma Cerrado localiza-se principalmente no Planalto Central do Brasil. Ocupa 24% do território nacional, pouco mais de dois milhões de quilômetros quadrados. Segundo estudos atuais, restam 61,2% desse total, em áreas distribuídas no Planalto Central e no Nordeste, estando a maior parte na região Meio-Norte, nos estados do Maranhão e do Piauí.
Além disso, existem áreas de Cerrado também em Rondônia, Roraima, Amapá, Pará e em São Paulo. É a segunda maior formação vegetal brasileira, depois da Amazônia, e a savana tropical mais rica do mundo em biodiversidade.
Esse bioma é favorecido pela presença de diferentes paisagens e por abrigar três das maiores bacias hidrográficas da América do Sul. Ele concentra um terço da biodiversidade nacional e 5% da flora e fauna mundiais.
A Diversidade do Cerrado no Contexto Brasileiro
O Brasil é um dos países mais ricos em biodiversidade, com cerca de 1,5 milhão de espécies conhecidas entre vertebrados, invertebrados, plantas e microrganismos. Isso representa aproximadamente 10% das espécies do planeta. Essa riqueza está distribuída entre diversos ecossistemas: florestais, não florestais, aquáticos, montanhosos, costeiros e marinhos.
Características Gerais do Bioma Cerrado
O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, com área de cerca de 1,8 milhão de km², equivalente a 21% do território nacional. Ele corta o país no sentido nordeste-sudoeste. A região central do Cerrado faz fronteira com quase todos os demais biomas, exceto os Campos Sulinos e os ecossistemas costeiros e marinhos.
Mosaico Vegetal e Altura das Formações
O Cerrado apresenta um mosaico de formações vegetais que vai desde campos abertos até florestas densas. Algumas dessas formações florestais chegam a atingir 30 metros de altura.
Fauna do Cerrado
A dinâmica savana-floresta levou à perda de algumas espécies, como aconteceu com os grandes mamíferos. Durante o último período glacial (12 a 20 mil anos atrás), viviam na região animais como o Eremotherium laurillardi (preguiça-gigante), o Haplophorus euphractus (tatu gigante) e o Toxodon platensis (animal semelhante ao rinoceronte). Todos esses animais foram extintos.
Hoje, o maior mamífero encontrado no Cerrado é a anta (Tapirus terrestris), que também habita outros biomas.
Apesar dessas perdas, a diversidade do Cerrado continua notável e representa, em média, 33% da biodiversidade brasileira.
Riqueza de Espécies
O Cerrado é considerado a savana tropical com maior diversidade do planeta. Possui mais de 6.000 espécies vegetais. Também apresenta:
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Metade das espécies de aves brasileiras;
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45% dos peixes;
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40% dos mamíferos;
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38% dos répteis.
No total, o número de espécies no Cerrado pode ultrapassar 320 mil, o que representa cerca de 30% da biodiversidade brasileira. Ainda assim, essa riqueza é muitas vezes subestimada.
Endemismo
Uma espécie é endêmica quando existe apenas em uma determinada região. No Cerrado, algumas espécies endêmicas já estão ameaçadas de extinção, como nos grupos Xenarthera, Chiroptera, Carnivora, Artiodactyla e Rodentia.
Entre os mamíferos do Cerrado, apenas 9,5% são exclusivos da região. Existem 21 espécies de mamíferos oficialmente ameaçadas.
Já entre as aves, estima-se que haja 837 espécies, com nível de endemismo de cerca de 4%. Dentre elas, 23 estão ameaçadas.
No caso dos répteis, a diversidade é alta e o número de espécies endêmicas também. São cerca de 177 espécies, sendo as serpentes o grupo mais diversificado. Apenas uma espécie está ameaçada de extinção: o lagartinho-do-cipó.
Cerrado em Números
O bioma Cerrado abriga uma das maiores biodiversidades do mundo. São milhares de espécies em uma área de aproximadamente 204 milhões de hectares — uma extensão comparável à soma das áreas da Espanha, França, Alemanha, Itália e Inglaterra.
Pesquisas apontam que o Cerrado abriga mais de:
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10.000 espécies de plantas;
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159 espécies de mamíferos (23 endêmicas);
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837 espécies de aves (29 endêmicas);
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180 espécies de répteis (20 endêmicas);
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113 espécies de anfíbios (32 endêmicas).
Recursos Hídricos
Três das maiores bacias hidrográficas da América do Sul têm nascentes no Cerrado: São Francisco, Tocantins-Araguaia e Prata. Todos os outros biomas brasileiros recebem ao menos parte da água que nasce nesse bioma.
A existência desses rios pode ter favorecido a migração de várias espécies, contribuindo para a biodiversidade atual.
Características Físicas e Presença de Nascentes
Dois fatores explicam a abundância de nascentes e rios de pequeno e médio porte no Cerrado:
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A região é um divisor natural de bacias hidrográficas;
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Sua altitude é elevada em comparação ao restante do Brasil.
O Papel do Fogo
O Cerrado apresenta vegetações variadas, desde formações campestres até florestais. O fogo faz parte da história do bioma e influenciou adaptações evolutivas:
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Espécies com casca grossa para resistir ao calor;
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Plantas com órgãos subterrâneos de reserva, que possibilitam a regeneração após incêndios.
Embora o fogo possa estimular a germinação e regeneração de espécies, seu uso excessivo modifica a cobertura vegetal, altera a hidrologia e afeta os estoques de carbono. A frequência ideal de queimadas ainda é desconhecida.
Espécies Endêmicas e Seleção Natural
A combinação de fatores como solo, altitude, clima, fogo e isolamento resultou em um elevado número de espécies restritas ao Cerrado, chamadas de espécies endêmicas.
Populações Tradicionais
O Cerrado sofre com a expansão agropecuária, que altera suas paisagens e ameaça as populações tradicionais.
Os povos originários incluem os Xavantes, Tapuias, Karajás, Avá-Canoeiros, Krahôs, Xerentes, Xacriabás, entre outros. Já as populações tradicionais incluem quilombolas, geraizeiros, vazanteiros, ribeirinhos e sertanejos.
Esses grupos adaptaram seus modos de vida aos recursos naturais disponíveis. Hoje, muitos foram expulsos ou vivem em áreas marginais, diante de um sistema que pouco valoriza seu conhecimento.
Sustentabilidade e Futuro do Cerrado
Atualmente, o Cerrado é a principal região agrícola do país. Por isso, é essencial buscar a produção sustentável, unindo conhecimento técnico, saber tradicional e pesquisa científica.
A conservação do Cerrado depende dessa integração, especialmente para garantir a preservação dos recursos hídricos e da biodiversidade.
Solos do Cerrado
Os solos mais comuns são os Latossolos, que ocupam 46% da área do Cerrado. Eles são profundos, bem drenados, ácidos, pobres em nutrientes e com presença de alumínio tóxico.
Outros solos incluem:
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Neossolos Litólicos: rasos e pedregosos;
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Neossolos Quartzarênicos: arenosos;
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Organossolos: ricos em matéria orgânica, mas com distribuição limitada.